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quarta-feira, 28 de abril de 2010

Encontro

Claude Monet, The Beach at Trouville

Edward Hopper, Theater


Os melhores encontros são aqueles que não esperamos.
Os melhores encontros são aqueles em que não estamos esperando tanto da vida.
São aqueles em que o inesperado é maravilhoso.
Os melhores encontros são aqueles em que nos encontramos com nós mesmos.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Mário Testino

Mário Testino, fotógrafo peruano, lançou o livro MaRio de Janeiro Testino, com fotos da cidade maravilhosa e suas muitas belezas naturais. Uma palhinha do trabalho personalíssimo dele.






segunda-feira, 12 de abril de 2010

A dignidade da arte


Tholl - Imagem e sonho

Eu escrevo para os que não podem me ler. Os de baixo, os que esperam há séculos na fila da história, não sabem ler ou não tem com o quê.
Quando chega o desânimo, me faz bem recordar uma lição de dignidade da arte que recebi há anos, num teatro de Assis, Itália. Helena e eu tínhamos ido ver um espetáculo de pantomima, e não havia ninguém. Ela e eu éramos os únicos espectadores. Quando a luz se apagou, juntaram-se a nós o lanterninha e a mulher da bilheteria. E, no entanto, os atores, mais numerosos que o publico, trabalharam naquela noite como se estivessem vivendo a glória de uma estréia com lotação esgotada. Fizeram sua tarefa entregando-se inteiros, com tudo, com alma e vida; e foi uma maravilha.
Nossos aplausos ressoaram na solidão da sala. Nós aplaudimos até esfolar as mãos.

Eduardo Galeano

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Arte em Moleskine

Estou descobrindo o Moleskine, aqueles blocos de anotações famosos (e metidos a besta, cheios de tecnologia) que fazem a cabeça de muita gente criativa. Muitos blogs repetem a história do caderninho, então não vou fazê-lo aqui, indicando apenas o site oficial (http://www.moleskine.com) e um Wiki (http://pt.wikipedia.org/wiki/Moleskine) pra quem quiser conhecer a marca.
A parte ainda mais criativa da coisa, que vem com seu uso, pode ser conhecida no blog http://www.skineart.com/, que reúne desenhos muito bacanas em Moleskines. Companheiro de viagens e idéias, o famoso bloco parece acolher bem tanto idéias como desenhos. Aqui na terrinha custa em torno de 40 reais, enquanto que no primeiro mundo (amazon.com), meros dez dólares.

Joseph R. Tomlinson

Abby

Damien Slevin

sábado, 3 de abril de 2010



A saudade é um sentimento universal, não tem cura.
Só derramo longos ventos
de pensar o que passou.
Quem me dera uma vez
vetar estes versos sem surpresa.

terça-feira, 2 de março de 2010

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Cidade maravilhosa


Ah, o carnaval.
A alegria toma conta, o colorido diverte e o movimento entretém.
Não tem ano que comece sem carnaval no Brasil.
Toda a explosão é real.
Mas muito do que se põe pra fora é parte de um esquecimento.
Depois de tanta serpentina, só podia vir um dia de cinzas.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

A burocracia/3


Sixto Martínez fez o serviço militar num quartel de Sevilha.
No meio do pátio desse quartel havia um banquinho. Junto ao banquinho, um soldado montava guarda. Ninguém sabia por que se montava guarda para o banquinho. A guarda era feita porque sim, noite e dia, todas as noites, todos os dias, e de geração em geração os oficiais transmitiam a ordem e os soldados obedeciam. Ninguém nunca questionou, ninguém nunca perguntou. Assim era feito, e sempre tinha sido feito.
E assim continuou sendo feito até que alguém, não sei qual general ou coronel, quis conhecer a ordem original. Foi preciso revirar os arquivos a fundo. E depois de muito cavoucar, soube-se. Fazia trinta e um anos, dois meses e quatro dias, que um oficial tinha mandado montar guarda junto ao banquinho, que fora recém-pintado, para que ninguém sentasse na tinta fresca.


p.62 O livro dos abraços, de Eduardo Galeano

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Olhares

Quando a gente é criança, tudo ganha vida sem esforço:

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Janelas de ontem e hoje





Os velhinhos de ontemcostumavam, sobretudo nos fins de tarde, abrir as janelasdas casas e ficar ali, às vezes com os cotovelos apoiados em almofadas, esperando que algo acontecesse: a aproximação de um conhecido, uma correria de crianças, um cumprimento, uma conversa, o pôr do sol, a aparição da lua.
Eles se espantariam com as crianças e os jovens de hoje, fechados nos quartos, que ligam o computador, abrem asjanelas da internet e navegam por horas por um mundo de imagens, palavras e formas quase infinitas.
O homem continua sendo um bicho muito curioso. O mundo segue intrigando-o.
O que ninguém sabe é se o mundo está cada vez maior ou menor. O que imagino é que, de suas janelas, os velhinhos viam muito pouca coisa, mas pensavam muito sobre cada uma delas. Tinham tempo para recolher as informações mínimas da vida e matutar sobre elas. Já quem fica nasjanelas da internet vê coisas demais, e passa de uma para outra quase sem se inteirar plenamente do que está vendo. Mudou o tempo interior do homem, mudou seu jeito de olhar, Mudaram as janelas para o mundo e nós seguimos olhando, olhando, olhando sem parar, sempre com aquela sensação de que não podemos parar de olhar, seja o cachorro de verdade que se coça na esquina da padaria, seja o passeio virtual por Marte, na tela colorida.

Cristiano Calógeras

domingo, 15 de novembro de 2009

Dedicação





























Este poema é dedicado
aos que em grande dedicação
e coragem
assumiram a arte em si
e admitiram entrar em contato
com sua loucura.

Abre-se a janela
e voa-se com o vento.
GUSTAVO.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

















Nesse mundo
há outro mundo
onde as coisas
são mais simples.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

















Quando perguntaram a Joshu o que era o Tao (ou a verdade do zen) ele respondeu: "A vossa vida cotidiana é o tao". Em outras palavras, uma calma autoconfiante. Esta é a verdade que quero exprimir quando afirmo que o zen é eminentemente prático. Ele apela diretamente à vida, não fazendo sequer referência à alma, ou a deus, ou a coisa alguma que interfira ou perturbe o ordinário curso vital. A idéia do zen é de captar a vida assim como ela é. Não há nada de misterioso e extraordinário a respeito do zen. Ergo a minha mão, ou apanho um livro do outro lado da mesa, ou ouço os garotos jogando bola na rua, ou vejo as nuvens além serem dispersadas sobre a floresta - em tudo isso estou praticando o zen. Estou vivendo o zen. Nenhuma discussão verbal é necessária, nem qualquer explicação. Não sei porque, e também não há necessidade de explicação, mas quando o sol surge, todo o mundo dança de alegria, e o coração de todos enche-se de júbilo. Se o zen é depois de tudo concebível, é aqui que deve ser apreendido.

Daisetz Teitaro Suzuki, em Introdução ao zen-budismo

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Foto


Uma foto revela mais que uma paisagem: revela um olhar.
Pode ser um olhar de curiosidade, deleite, ou de satisfação com o que se vê.
Esta foto de Laura Backes tirada no interior da Croácia atiça minha curiosidade. De onde são essas escadarias? Quem vive ou frequenta esse lugar? Aonde essa passagem leva?
Não há nada de espetacular: há um cotidiano.
Um cotidiano qualquer, que como quase qualquer coisa, pode ser capturada artisticamente.
Algo nada espetacula que se transforma em algo lindo.

Laura Backes é atriz e dançarina. Ah, fotógrafa também.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Através de um espelho


Assisti finalmente um filme do tão comentado Bergman, Através de um espelho (1961). Tudo tem uma primeira vez. Me apaixonei pela fotografia, e não achei tão pesado como comentam. Me explico melhor: achei forte sim, pela veracidade da trama, mas senti que ele apresenta possibilidades, pincela por possibilidades, mesmo que a realidade se mantenha dura, sintuosa em vários momentos. Mesmo assim, o arrepio provocado pela veracidade, cruel como é retratada pelo diretor, fascina pela maestria de sua captura.
O tema principal é a loucura e a falta de conexão com Deus. A loucura é mostrada no filme com seu aspecto terrível, que desestrutura a pessoa e a família, e o transtorno de perder contato com a realidade. Ao mesmo tempo, é preciso um pouco de loucura para conceber com tanta habilidade um filme complexo como esse, ou para atuar tão bem como atuam os atores. Na verdade, é preciso contato com a loucura para qualquer forma de arte, não?
Da mesma maneira, quando pai e filho conversam na cena final sobre o vazio da existência, eles entendem um pouco a loucura da vida, já que "tudo pode acontecer". Vivemos num mundo onde tudo é capaz de acontecer, e estamos todos sentenciados à morte, mais cedo ou mais tarde, e nesse vazio, nesse mesmo vazio da existência, encontramos amor. Nesse mundo encontramos amor.
Quem sabe a loucura não está para nós, assim como estamos para Deus?

domingo, 19 de julho de 2009

Uma impressão



Impressão: nascer do sol, por Claude Monet.


Para o impressionismo, captar as coisas exatamente como elas são não importa. O que importa é captar o sentimento que ela desperta, a impressão que aquilo lhe dá. Na época, academicamente errado e tecnicamente imperfeito. Quem sabe um busca da essência dos momentos?